quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Conjecturas VI



Eram os anos 80, eu estava crescendo então me entendendo por gente quando de repente vejo no jornal nacional a notícia de que John Lennon havia sido assassinado, e era natal que coisa, até então o natal era uma data cheia de luzes e cores, presentes e abraços fraternos o que mais se podia esperar se não isso. Mais ali tudo começara a mudar, pela primeira vez vi de perto aquilo que se chamava maldade, porque vi pessoas chorar na tv, muita gente mesmo! O Brasil vivia sobre o regime militar, ouvi se não de meu pai foi de alguém da família que dizia que John era um depravado, queria andar nu de mãos dadas na rua com a mulher dele. Eu não sabia nem entendia se tudo aquilo era bonito ou feio, tinha naquela época 8 anos, hoje chego até a pensar que oito anos abestalhado da cebola eu tinha, as crianças de hoje sabem mais do que eu sabia, a coisa evoluiu.
Eu tenho uma tia que adorava o regime militar e o Gal. Figueiredo o então Presidente do País, Santo Cristo nem quero nomear o que significava pra ela, porém meu pai, eu nunca vi o velho envolvido nessa de protesto, nem com grupos esquerdistas. Quando das diretas estava ele torcendo pela democracia, anos depois me perguntava onde residia à ideologia dele que nunca se rebelava contra o sistema, ali eu comecei a gostar daquela agitação, era porque eu já me sentia uma criança subversiva e um dia me tornaria um questionador. Era 1984 tudo começa a ficar mais claro, Michael Jackson deixando o mundo de boca aberta com Moonwalker, o grito do rock nacional mais latente, as músicas de protesto agora podiam soar nos quatro quantos do Brasil, agente podiam gritar, as pessoas podiam dizer o que sentia pelos anos de repressão e opressão vividos até então. Meus ouvidos começaram a se encantar com tal de Legião dizendo... “Que País é esse”? Ai é que eu comecei a descobri o Brasil, o porquê daquilo, a me identificar dentro deste processo e criar um pensamento político e social minha verdadeira identidade.
 Já ao final dos anos 80 inicio dos noventa após a queda do muro da vergonha reunificando a Alemanha, a ideologia muda no mundo idem no Brasil, e aquele cara que me inspirou a pensar sobre as coisas, já havia parado de protestar e estava cantando músicas de amor, dizendo que... “Agimos certo sem querer foi só o tempo que errou, vai ser difícil sem você”. Como os protestos nada mais podiam nada a fazer, vamos ensinar o mundo a amar, os caras voltaram do exílio e hoje parece que estamos pagando com juros muito alto e talvez eterno, depois que eles retornaram e ingressaram na política a vilania, o malefício, começou a apoderar-se do País do Futuro. Hoje olhando pra traz o que dizer... A ideologia de um mundo melhor de um País com situações mais justa para sua população ainda está muito longe de acontecer, não adquirimos uma moral nem uma educação para mudarmos o rumo para sermos exemplo pra outras nações, somos mal avaliados com relação à ética, e ao escrúpulo político. Somos apenas o País do carnaval “Festa estranha com gente esquisita”, a Pátria de chuteiras.
Nossa justiça está sempre a serviço dos poderosos, nossa saúde de quem pode pagar um Sírio Libanês, afinal lá se prolonga a vida de quem pode, no SUS só os que se (.......) fiquem a vontade para preencher os parênteses. Se o Brasil tem coisas boas; tem é claro, o problema é que as tristes são melhores veiculadas e nos atinge a alma, porém ainda há que se terem esperanças numa renovação de valores, tantos dos políticos quanto em todos os setores da sociedade, eu tenho fé em Deus que isso algum dia venha acontecer, embora eu acredite que não esteja encarnado para ver isso, de algum lugar verei. Por enquanto vivo analisando a seguinte coisa pro futuro... Como viver em um País que não gosta de velhos? Que não cuida deles lhes garantindo uma aposentadoria digna pelo tempo de contribuição, atendimento a saúde com dignidade. Penso que aqui as pessoas nascem para servir, e morre com a impressão que o País não lhes serviu, Deus me livre que me aconteça envelhecer neste Brasil.

Domonte. 

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