quinta-feira, 23 de abril de 2020

Só por isso eu não lamento a queda



Só por isso eu não lamento a queda

Eu venho de uma geração sonhadora, que viu o final do regime autoritário que cessiava a expressão na música, na poesia, na arte em toda sua expressão, era subversiva ao sistema, mais havia uma ideologia a qual se sonhava, um Brasil novo, mais justo, com mais oportunidades a todos.
E aos 17 anos de idade dei meu primeiro voto numa eleição para presidente a uma sigla utópica, que dizia mostrar o caminho para tudo aquilo que minha geração ou parte dela sonhava. Eu insisti até que vi, aquela figura icónica que dizia ser o único capaz de mudar a história deste País, chegar ao Planalto.
Sim houveram mudanças, houveram avanços, mas, o projeto de poder perpétuo que esta sigla ao passar dos oito primeiros, já não mais me encantava...
Pairava uma dúvida, uma desconfiança.
Meus amigos professores me dizem até hoje que não podem mais reprovar o aluno que não tem conhecimento, e não atende aos requisitos de aprovação em sala de aula, existe uma meta a se cumprir, seus gestores ficam revoltados se a escola tiver um alto índice de reprovação. O Brasil busca erradicar de vez o analfabetismo de seu povo, porém fabrica um outro grupo de analfabetos funcionais.
A outra face mostrada por esta sigla era a desonestidade ocultada há muito tempo, sendo ela detentora do poder, ia enriquecendo de forma desordenada a passos largos. Quando eram oposição a governos anteriores, eu não vi mais ferrenha oposição neste País desde que me entendo por gente, era a mais atuante, cobrava o tempo todo ética, moralidade e honestidade.
Pode seus feitos em programas sociais e de inclusão, encobrir ou justificar os danos causados por uma estrutura criminosa já criada de governos anteriores e ampliada por eles?
Eu acredito que não!
Pois se assim for, “os fins justificam os meios”.
Por isso não lamento sua queda, e não creio no fim das conquistas sociais, muitos dos programas que eles asseveram ser de sua autoria, apenas mudaram de nome e foram ampliados.
Passar o Brasil a limpo não significa a penas extirpar tão somente esta sigla partidária, mais seus aliados, e toda base de sustentação que corroboraram, mas, é preciso levar em conta que se governa para todos e a oposição também obteve favorecimentos ilícitos, estando citada em muitos casos de investigação.
Reforma política já com a diminuição onerosa aos cofres públicos do repasse do fundo partidário a 35 siglas.
Hoje nosso quadro político é o pior de toda nossa história, eu fico aqui tentando encontrar uma explicação, para uma coisa que não consigo entender.
Cresci ouvindo barbaridades sobre a ditadura, e não desejo a sua volta ao País nunca mais, estes “homens” hoje na política que foram banidos do Brasil naquele momento, ou os que conseguiram não desaparecer aqui mesmo no Brasil (mortos), parecem que voltaram ao país e a vida pública com um ódio profundo do País e dos cofres públicos. São em sua maioria os maiores usurpadores do erário público!
Muitos destes já era para ter sido banido da vida pública em definitivo devido a tantos processos por improbidade e outros crimes, falo aqui da minha decepção com a falsa esperança que um dia acreditei, na honestidade, ética e ideologia desta sigla horrenda que jamais votarei na minha vida.
Meu voto sempre foi por ideologia, e hoje por qual ideologia seguir?
Políticos brasileiros vocês levarão muito tempo para tirar o pensamento que está na mente da maioria dos eleitores de que “que todos vocês brigam, acusam-se, traem uns aos outros, mas, são parceiros na divisão dos ilícitos”.
                                                                                    Do Monte.

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